
Na sexta-feira, meu avô perdeu os movimentos do corpo e foi levado ao Regional pela ambulância.Chegando lá, recebeu apenas um soro para baixar a pressão e foi deixado assim até a manhã do sábado, sem tomografia, sem nenhum exame neurológico, sem investigação adequada.
No sábado, quando fui ao hospital, encontrei meu avô sem soro, sem medicação, apenas com um acesso na veia. O médico me chamou para conversar e disse que o risco de internação seria maior do que ficar em casa, que provavelmente era um problema vascular, que os exames de sangue tinham dado normais e que não havia muito o que fazer. Jogou a decisão nas minhas mãos — internar ou não internar. Como o próprio médico disse que internar seria mais arriscado, optei por levá-lo para casa.
Nos dias seguintes tentei conseguir a tomografia pela UBS e pelos postos de saúde. Ninguém tratou com urgência. Meu avô em cadeira de rodas, sem movimento, e o sistema ignorando a situação.
Somente na quarta-feira, quase uma semana depois, conseguimos a tomografia pela UPA. O resultado confirmou AVC isquêmico. Até hoje ele não recuperou os movimentos. Uma tomografia simples na sexta-feira poderia ter mudado completamente o prognóstico do meu avô. O tempo perdido no tratamento de um AVC é irreversível para o cérebro.